segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Criação, Desenvolvimento e Edição

Mais uma vez baseado nos ensinamentos dos criadores de Magic, tentarei explicar um método bom para a criação de cartas para os jogos de carta. Este método é dividido em três etapas: criação, desenvolvimento e edição.

Para criar um jogo é necessário um conceito principal e as regras. Estas duas contruções devem ser feitas antes da invenção das cartas, e devem estar bem definidas, para que ao criar as cartas, as regras não sejam fatores limitantes, mas apenas fatores guias.

Se as regras não estiverem bem definidas no momento de invenção das cartas, elas precisarão ser revisadas constantemente após a invenção de cada carta, o que dá muito mais trabalho. Imagine se durante a invenção das cartas uma que tenha um efeito bem maluco é inventada, em função dela todas as regras precisarão ser modificadas, a menos que as regras já estejam sólidas. Se isso acontecer com muitas cartas, a revisão das regras se tornará um processo chato. Em uma outra oportunidade falarei mais sobre a criação das regras.

Uma vez que o cenário esteja pronto para a criação das cartas, o método proposto é o seguinte:

Criação (traduzido de design):

Na criação das cartas a imaginação é o que manda.

Nesta etapa os criadores devem se soltar ao máximo e criar o maior número de cartas possível e imaginável utilizando os aspectos que eles pretendem explorar no conjunto de cartas a ser criado. Nunca se esqueça de que nesta etapa não há ideias ruins, apenas ideias não testadas. Portanto as cartas devem ser criadas e anotadas todas, usando o máximo da criatividade dos criadores.

O número de cartas criadas deve ser muito maior do que o número de cartas que pretende-se ter no jogo (umas 10 vezes mais). Ao criar o grande conjunto de cartas, os criadores devem selecionar as que mais gostam, seguindo um critério escolhido que varia de jogo para jogo. O número de cartas selecionadas deve ser menor do que o de cartas criadas (umas 3 vezes mais do que as cartas que pretende-se ter no jogo). Em uma outra oportunidade falarei mais sobre os critérios de seleção das cartas.

Desenvolvimento (traduzido de development):

No desenvolvimento a habilidade de jogar e a competitividade são o mais importante!

Nesta etapa os desenvolvedores devem receber as cartas pré-selecionadas pelos criadores e testar, testar e testar. Por testar eu quero dizer que os desenvolvedores devem montar baralhos com as cartas para que sejam o mais forte possível e jogar com eles.

Assim será verificado se existem estratégias que os jogadores podem montar com as cartas que são desequilibradas, e que tornariam o jogo chato. Por isso os desenvolvedores devem ser ótimos jogadores, contruidores de baralhos e estrategistas, para que nada passe despercebido, pois uma falha aqui pode gerar vários problemas para os jogadores quando o jogo for lançado.

Além de verificar se existem cartas e estratégias poderosas demais, os desenvolvedores modificam as cartas criadas para que elas fiquem equilibradas, trazendo assim mais consistência ao jogo.

Depois de cortar os meios para as estratégias desequilibradas e equilibrar os atributos das outras cartas, os desenvolvedores devem selecionar novamente algumas das cartas para a próxima etapa (aqui eu sugiro que seja 1,2 vezes o número de cartas que pretende-se ter no jogo). Nesta seleção os desenvolvedores devem considerar vários critérios, principalmente os de equilíbrio e diversidade de baralhos que os jogadores poderão construir.

Edição (traduzido de editing):

Na edição o maior valor é da organização e visão geral do jogo!

A edição tem o dever de terminar a invenção das cartas por escolher os últimos detalhes: ilustração, ajuste dos nomes, dos nomes das habilidades, dos textos de rodapé entre outras. É por isso que os editores devem possuir uma visão geral do jogo, para poderem considerar todos os aspectos que foram previstos na invenção do jogo e serem organizados o suficiente para não deixarem nenhum detalhe de lado.

A última seleção de cartas deve-se aos editores, que devem escolher as cartas que mais chamarão a atenção dos jogadores, que darão identidade ao jogo e terão os valores que era esperado para o jogo quando ele foi concebido.

Ao final da edição, as cartas estão prontas para serem impressas e distribuídas aos jogadores.

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Este artigo visa apenas mostrar um método possível para a criação de cartas para um jogo. Possivelmente ele não é aplicado a qualquer jogo de cartas.

A Natureza Humana

Olá!

Este é um artigo baseado no texto do Mark Rosewater lançado hoje no site oficial do jogo Magic: the Gathering. É mais difícil escrever no blog do que eu achei, mas depois de ler o artigo de hoje eu me inspirei e tomei vergonha de deixar de trabalhar uma meia hora para escrever um pouco aqui.

Acho que escreverei muitos artigos baseados nos textos do Mark e nos textos do Tom LaPille, pois são eles que, respectivamente, escrevem sobre criação e desenvolvimento de Magic. E para mim, como este é um jogo bem sucedido, acredito que eles têm muitas dicas para dar aos criadores de jogos, como nós.

obs: o link para o site deles está com problema, quando consertar o problema eu arrumo o link daqui.

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Ao criar jogos nós devemos considerar vários fatores, os textos sobre teoria de criação de jogos falam sobre estes fatores, e neste falarei sobre a natureza humana, provavelmente o fator mais importante ao se criar jogos.

Jogos de carta são criados para humanos, e por isso ao criar os jogos, não devemos criar regras ou conceitos que vão contra esta natureza, jogos que são intuitivos e naturais para as pessoas jogarem são mais divertidos e agradam mais as pessoas. Este é um grande desafio!

Eu como engenheiro e homem de números, tenho muitos problemas com os aspectos subjetivos da natureza humana, mas creio que uma sistematização do processo de criação de jogos e de consideraçao da natureza humana possa ajudar bastante. É claro que é impossível sistematizar todos os aspectos da natureza humana, mas pelo menos os mais importantes a gente tenta.

Darei exemplos de aspectos da natureza humana que devem ser considerados (provavelmente escreverei mais textos sobre cada um deles mais para frente): estética, simplicidade, convergência, padrões, repetibilidade, estrutura, ordenação, interatividade...

Chega uma hora que o jogo que criamos falha em algum destes aspectos e deixa de ser divertido, por exemplo um jogo sem padrões, ou seja, um jogo que não permite que reconheçamos valores e consigamos prevê-los se torna um jogo sem controle, onde o jogador não se reconhece nele. Um padrão básico em jogos de carta são os tipos de carta: quando eu vejo uma carta de criatura em Magic, eu sei mais ou menos o que esperar dela, pois ela segue um padrão. Isso é importante.

O texto de hoje do Mark Rosewater fala do conceito de convergência, e cita o iPad (o aparelho novo da Apple) como um exemplo disto. Convergência é o conceito que diz que as pessoas gostam de juntar coisas, pois é mais fácil e melhor fazer duas coisas juntas do que fazer duas coisas separadas. Por isso que o iPad representa a convergência: ele reúne diversas funcionalidades esperadas pelo usuário em um aparelho apenas.

Portanto quando você for criar um jogo, é uma coisa boa juntar conceitos em uma estrutura só, para que os jogadores sintam a convergência e se sintam mais atraídos para jogar e se divirtam mais jogando. Mas não é porque podemos juntar conceitos que devemos fazê-lo, lembrem-se que existem vários aspectos da natureza humana, e há momentos em que um contradiz o outro, cabe a nós percebermos qual fala mais alto.

Ou seja, tudo isso se resume em: ao criar um jogo, devemos agradar o jogador seguindo sua natureza, e não lutando contra ela.

Este artigo foi uma tentativa de preencher o blog, pois estou sem muito tempo para parar e pensar no que escrever para estruturar melhor os artigos como desejaria. Ainda pensarei melhor em todos os aspectos mais importantes da natureza humana e elaborarei um texto explicando tudo melhor.

Até a próxima!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Apresentação

Olá! Primeiro post,

Finalmente sucumbi à onda dos blogs e criei um, meu intuito com este espaço é comentar e divulgar minhas experiências e opiniões sobre a criação de card games.

Recentemente eu descobri que algo que eu gosto de fazer mais do que jogar é criar jogos! Então comecei por aí alguns projetos de jogos de carta e a ler material mais específico sobre criação e desenvolvimento destes jogos.

Este é um assunto pouco abordado pela internet, pelo menos frente à criação de jogos de video-games. Então eu como gosto muito de falar sobre o que estou fazendo e de discutir as coisas que faço, vou comentar aqui sobre os seguites assuntos:

- Teoria de criação de jogos de carta
- Prática na criação de jogos de carta
- Comentários-análise sobre jogos existentes
- Andamento dos projetos de jogos em que trabalho
- Tecnologia da Informação na criação de jogos de carta

Por enquanto o blog será bem pobrezinho, pois ainda não estou muito familiarizado com a interface e com as ferramentas, mas creio que com o tempo e com a ajuda de algum amigo bom em design eu consiga fazer algo mais bonito por aqui.

Até breve!